A assinatura recente de acordos bilaterais entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo da Índia para a produção de terras raras em solo brasileiro marca um ponto de inflexão na política mineral do país. O evento não apenas reacendeu o debate sobre o posicionamento global do Brasil na transição energética, mas também trouxe à tona alertas fundamentais de lideranças do setor, como Marco Antônio Lage, presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) e prefeito de Itabira.
Para Lage, embora o Brasil esteja sentado sobre uma "mina de ouro" tecnológica, o país ainda carece da organização interna necessária para deixar de ser um mero exportador de commodities e se tornar um verdadeiro protagonista industrial.
O Despertar das Terras Raras e a Geopolítica Mineral
As terras raras — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de tudo, desde smartphones e turbinas eólicas até veículos elétricos e sistemas de defesa — são o combustível da nova economia verde. Atualmente, a China domina grande parte dessa cadeia de suprimentos, o que gera uma corrida global por alternativas.
O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses minerais, mas, como aponta Marco Antônio Lage em entrevista ao Poder 360, a posse do recurso natural não garante, por si só, o desenvolvimento. O risco iminente é o Brasil repetir os erros históricos do ciclo do ouro e do ferro: extrair a riqueza bruta, exportá-la com baixo valor agregado e importar a tecnologia final.















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