Há 39 anos, Carlos Drummond de Andrade partiu mas a sua poesia ficou.
Ficou nas palavras que atravessam gerações, nas ladeiras e pedras de Itabira, na memória de quem lê e naquilo que muitas vezes ainda não conseguimos dizer com as próprias palavras, mas encontramos inteiramente decifrado em seus versos. Drummond continua intensamente presente entre nós porque a verdadeira poesia não conhece despedida; ela é um organismo vivo que se renova a cada leitura.
Hoje, reverenciamos o poeta que teve o raro dom de transformar o cotidiano em alta literatura e de projetar Itabira com sua alma mineira, seus fantasmas e suas belezas para o mapa universal da sensibilidade humana.
Relembrar sua obra é revisitar também o seu testamento poético, marcado pela sobriedade, pela lucidez e por uma profunda humanidade:
O corpo enterrem-me em São Bento
na capela-mor com um letreiro que diga
Aqui jaz um pecador
Se eu morrer na Espanha ou no mar
mesmo assim lá estará minha
campa e meu letreiro
Não dobrem sinos por mim
e se façam apenas os sinais
por um pobre quando morre

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