A literatura brasileira pulsa com mais força quando descentraliza seus palcos e abre espaço para as múltiplas vozes que brotam longe dos grandes centros urbanos. É sob essa premissa de escuta, encontro e travessia que a escritora, pesquisadora e curadora Calila das Mercês chega à 6ª edição do Flitabira (Festival Literário de Itabira). Nesta edição, ela assume uma posição duplamente significativa: a de quem escreve, dando corpo e alma à palavra através de sua obra como no aclamado livro "Nódoa" , e a de quem ajuda a arquitetar o pensamento que guia a programação do festival.
Nascida no fértil e culturalmente rico Recôncavo da Bahia, Calila traz para o centro do debate literário a urgência de descentralizar os grandes eventos culturais. Em um cenário onde o eixo Rio-São Paulo historicamente monopoliza os holofotes, levar festivais de grande porte para cidades de Minas Gerais como Itabira é um ato político e poético de democratização do acesso e valorização dos territórios periféricos e interioranos.
Ao refletir sobre essa movimentação, a autora sintetiza com sensibilidade a essência de sua curadoria:
"Pensar nesses movimentos que atravessam esses interiores e os nossos interiores também, individuais e coletivos, pra mim, é um grande presente."

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