Quando as luzes dos palcos se apagam e as cortinas dos espetáculos se fecham, o que resta de um grande encontro cultural? No caso do 52º Festival de Inverno de Itabira, a resposta está cravada nas próprias ruas, nas paredes e na rotina do cidadão itabirano. Sob o tema inspirador de “Travessias”, o festival encerrou mais uma de suas históricas edições reafirmando que a cultura não é apenas um evento passageiro, mas uma força transformadora e permanente na paisagem urbana e afetiva da cidade.
Dentre as inúmeras memórias e experiências vivenciadas ao longo da programação, uma marca em especial se destaca por sua permanência física e poética: o painel “Travessia do Inconsciente”, concebido pelo renomado artista plástico itabirano Jayme Guerra.
A Arte ao Alcance do Olhar: "Travessia do Inconsciente"
Instalada em um ponto estratégico da cidade — na Avenida das Rosas, em frente à Secretaria Municipal de Agricultura —, a obra de Jayme Guerra surge como uma intervenção de grande impacto estético e sensível. A pintura mural rompe com a sobriedade do concreto e dialoga diretamente com o fluxo diário de pedestres e motoristas que transitam pelo local.
Fiel à sua identidade artística, marcada por arquiteturas do espírito, geometrizações instigantes e explorações dos campos simbólicos da psique humana, Guerra oferece em "Travessia do Inconsciente" um convite à pausa. Em meio à rotina acelerada do espaço urbano, o painel funciona como um respiro contemplativo, provocando reflexões sobre ancestralidade, memória, identidade e o universo do invisível que habita a mente coletiva.
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