Há 39 anos, Carlos Drummond de Andrade partiu mas a sua poesia ficou.
Ficou nas palavras que atravessam gerações, nas ladeiras e pedras de Itabira, na memória de quem lê e naquilo que muitas vezes ainda não conseguimos dizer com as próprias palavras, mas encontramos inteiramente decifrado em seus versos. Drummond continua intensamente presente entre nós porque a verdadeira poesia não conhece despedida; ela é um organismo vivo que se renova a cada leitura.
Hoje, reverenciamos o poeta que teve o raro dom de transformar o cotidiano em alta literatura e de projetar Itabira com sua alma mineira, seus fantasmas e suas belezas para o mapa universal da sensibilidade humana.
Relembrar sua obra é revisitar também o seu testamento poético, marcado pela sobriedade, pela lucidez e por uma profunda humanidade:
O corpo enterrem-me em São Bento
na capela-mor com um letreiro que diga
Aqui jaz um pecador
Se eu morrer na Espanha ou no mar
mesmo assim lá estará minha
campa e meu letreiro
Não dobrem sinos por mim
e se façam apenas os sinais
por um pobre quando morre
(Publicado originalmente no suplemento literário Minas Gerais, encartado na edição de 19 de agosto de 1987).
São 39 anos de saudade tangível, mas que correspondem a uma eternidade de poesia. Que o poeta de Itabira continue ecoando em cada esquina da nossa imaginação.










Nenhum comentário:
Postar um comentário