Nesta quinta-feira (5), a diplomacia mineral e a política municipalista ganharam um momento divisor de águas. O prefeito de Itabira e presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG), Marco Antônio Lage, participou da primeira reunião ordinária do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce). O colegiado, diretamente vinculado à Presidência da República, reúne lideranças do Governo Federal, especialistas e representantes da indústria para traçar o rumo da soberania mineral e da transição energética do país. Marco Antônio ocupa a cadeira reservada às cidades impactadas pela atividade minerária.
Voz Local no Centro da Estratégia Nacional
A inclusão dos municípios minerados em uma instância decisória do Poder Executivo representa um avanço histórico. Durante a abertura do seu discurso, Marco Antônio Lage expressou sua gratidão pela oportunidade e reforçou que a visão do atual governo federal dialoga com a preservação da soberania nacional e com um modelo de mineração sustentável, responsável e comprometido com o futuro.
Para o prefeito, assegurar que Itabira esteja presente nas discussões do Cimce é um reconhecimento do papel pivotal que a cidade desempenha no mapa produtivo do Brasil desde o século XX.
"Estar neste conselho não é apenas uma conquista política, é a garantia de que as decisões sobre o subsolo brasileiro levem em consideração quem vive em cima dele. Itabira, berço da mineração de ferro no país, tem autoridade moral e histórica para pautar o futuro da mineração sustentável e a transição do setor", destacou Marco Antônio.
Resgate Histórico e Simbolismo: O Livro da Itabira Iron
Em um gesto carregado de simbolismo, o prefeito presenteou o Presidente da República com um exemplar do livro “A Concessão Itabira Iron – A origem da Vale e os primórdios da indústria da mineração no Brasil”, escrito originalmente por Clodomiro de Oliveira em 1934. A obra foi recentemente reeditada pela AMIG em uma edição fac-símile especial.
A entrega do livro ressalta as origens do setor extrativo nacional e serve como um alerta preventivo: o ciclo do minério de ferro ensinou ao Brasil lições duras sobre dependência econômica e esgotamento de jazidas. Ao conectar o passado com os desafios dos minerais críticos e estratégicos — como o lítio, terras raras, níquel e cobre, fundamentais para a tecnologia global —, o prefeito reafirmou a importância de não repetir os erros de planejamento do século anterior.
O Desafio da Pós-Mineração: Diversificação e Legado
Um dos momentos centrais da fala do presidente da AMIG no Cimce foi a defesa intransigente da sustentabilidade econômica territorial. O encerramento do ciclo extrativo das grandes minas de ferro é uma realidade no horizonte de municípios pioneiros, e Itabira vivencia essa transição de forma direta.
Marco Antônio Lage enfatizou que a riqueza gerada pela exploração mineral não pode evaporar à medida que as reservas se esgotam. O desenvolvimento dos chamados "minerais do futuro" deve vir acompanhado de:
Industrialização Local: Agregação de valor às matérias-primas dentro dos próprios territórios de extração, evitando o modelo meramente exportador de commodities brutas.
Fundos de Transição: Investimento estruturado em infraestrutura, educação, inovação tecnológica e saúde nas cidades produtoras.
Diversificação Econômica: Garantia de fontes alternativas de emprego e renda para a população após o término da atividade mineradora.
O Papel do Cimce e a Soberania Nacional
O Conselho de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce) tem como missão formular diretrizes para que o Brasil não seja apenas um exportador primário, mas um ator de destaque na cadeia global de suprimentos da transição energética. A presença ativa de Itabira garante que o debate sobre transição ecológica caminhe lado a lado com a justiça social e a responsabilidade territorial.
Ao posicionar Itabira na mesa onde são traçadas as diretrizes estratégicas da mineração brasileira para as próximas décadas, Marco Antônio Lage consolida a imagem do município como protagonista do setor, mostrando que o conhecimento acumulado em décadas de extração de ferro é ativo fundamental para construir a mineração do século XXI.
*Créditos vídeo@cidadesminerais

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